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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Artigo de Zizo Mamede: Um dia após o golpe

“Vamos se embebedar cambada … passar Dilma no copo” (Rodolfo Canelão)

“Dilma é honesta e trabalhou muito, mas deu azar … o roubo dos políticos estourou na mão dela” (Alba Lúcia)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende o golpe perpetrado pelo parlamento brasileiro e ao mesmo tempo diz que Dilma é honrada e honesta. Por vias tortas FHC quer atingir Lula da Silva, o próximo alvo da plutocracia que se apodera da presidência da República neste fatídico 12 de maio de 2016. – FHC assim como Aécio e Marina são maus perdedores e têm fraqueza de caráter.

Renan Calheiros, posando de magistrado, mas atolado até a medula nas denúncias de corrupção, se diz convicto acerca da conveniência da adoção do parlamentarismo no Brasil. Em suma: o primeiro ministro do Brasil seria Eduardo Cunha ou o próprio Calheiros. A presidenta eleita seria uma peça decorativa da política brasileira. – Entregar o ouro aos bandidos que controlam o Congresso Nacional.

Dilma cometeu erros e erros. Para o infinitesimal número de famílias mais ricas do país, aquele pessoal que detém a propriedade dos bancos, das emissoras de TV e dos títulos da dívida pública, o grave erro de Dilma foi ousar derrubar os juros da economia brasileira. – Essa plutocracia não aceita o PT.

Ao reduzir os juros, por um lado o governo passou a pagar menos aos credores da Dívida, por outro lado passou a dispor de mais dinheiro para investimentos em infraestrutura e programas sociais.

Mas Dilma mexeu noutro vespeiro: ao reduzir as tarifas de energia elétrica, Dilma atingiu os lucros dos investidores que compraram as empresas de energia privatizadas na era FHC. – Dilma pôs fim aos apagões no país, mas o que isso importa para especuladores?

Dilma cometeu erros. Um grave erro foi abrir mão de arrecadar centenas de bilhões de reais em tributos em nome da manutenção do pleno emprego, mesmo em meio ao turbilhão da mais longa crise econômica do mundo capitalista. O segundo erro grave foi adotar a política de torniquete fiscal de Joaquim Levy, um remédio que mais mata do que cura.

Para os políticos que dominam o Congresso Nacional, o maior “erro” de Dilma não pode ser dito: Não fazer concessões às desonestidades dos políticos desonestos. A mídia oposicionista acusa a presidenta eleita de ser uma pessoa “sem jogo de cintura”. Exatamente assim: ter jogo de cintura é jogar o jogo dos corruptos. – Com Dilma não!

Um golpe na Câmara, liderado por Eduardo Cunha e outro golpe no Senado, liderado por Renan Calheiros. A bandeira do combate à corrupção, na mão do PIG (Partido da Imprensa Golpista) vale para criar mal-estar e dar sustentação ao golpe. Não vale contra os algozes de Dilma? Não vale contra os sonegadores? – Não vale não.

A classe média “coxinha” apoiou maciçamente Eduardo Cunha contra Dilma Rousseff. À classe média “coxinha” uma pergunta: Onde vai enfiar o ódio após o catártico golpe contra a presidenta eleita? – “Coxinha” é termo pejorativo para designar a classe média meritocrática. “Coxinha” é o eufemismo. É golpista mesmo.

A operação Lava-Jato cumpriu o papel colateral de municiar o PIG com a construção do mal-estar com a política. À Operação Lava-Jato uma pergunta: Quando vai dar as caras de novo ou só vai dar as caras se for para incriminar Lula e botar Lula na cadeia?

E o povo como reagirá? – Os tolos passarão Dilma no copo. Os sábios lhe absolverão.

Em tempo: O golpe vai doer e não vai ficar barato.

Por Zizo Mamede 

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