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quinta-feira, 6 de abril de 2017

As opções de Ricardo Coutinho para as eleições de 2018

Muita gente que lida com política na Paraíba, especialmente no meio jornalístico, considera como certa a decisão do governador Ricardo Coutinho de renunciar ao mandato daqui a um ano para ser candidato ao Senado e, com isso, seguir o mesmo caminho que trilharam ex-governadores como Cássio Cunha Lima, José Maranhão e Ronaldo Cunha Lima, só para citar os casos mais recentes.

Não considero, entretanto, que essa decisão de RC seja tão óbvia, muito menos certa. Por dois motivos: o primeiro tem a ver com a vice-governadora, Lígia Feliciano; o segundo, com o perfil do/a candidato/a, que necessariamente, para ter viabilidade, deverá representar não apenas continuidade, mas identidade com o “projeto” iniciado pelo socialista em 2011.

Vamos ao primeiro motivo.

Caso renuncie ao mandato de governador, em 2018, RC entregará o cargo a Lígia Feliciano, sua vice, que assumirá com plenos poderes e, tão mais importante, com direito à reeleição.

Por conta disso, é difícil acreditar que o deputado federal Damião Feliciano, cujo histórico de lealdade a projetos eleitorais dos caciques políticos da Paraíba, desde 2006, é o mesmo que um risco n’água, seja apenas o de se reeleger tendo sua esposa no comando do governo.

A vice-governadora já tem até programa de rádio.

Em 2014, por exemplo, os Feliciano permaneceram indefinidos até o prazo final das Convenções, e é por demais sabido que o PDT, o partido de Damião e Lígia, só definiu sua posição depois de assegurada a vaga de vice na chapa de reeleição de Ricardo Coutinho. Caso contrário, sem muita cerimônia, o deputado do coração teria apoiado Cássio Cunha Lima.

E essa é outra parte do mesmo problema: como sempre, os Feliciano não fecharam as portas para a oposição e, sabe como é, fazer campanha no governo facilita muito as coisas…

O segundo motivo tem a ver com o ou a candidato/a. Por enquanto, não há definição sobre isso porque depende da resolução de problema esboçado acima.

Fala-se muito em Gervásio Maia Filho, que hoje preside a Assembleia Legislativa. Raciocine comigo, possível leitor: o filho de uma das mais tradicionais oligarquias políticas da Paraíba tem perfil para representar o legado simbólico, discursivo, que Ricardo Coutinho constrói na Paraíba, por mais idiossincráticas que sejam suas alianças no estado? Não acho.

Além disso, Gervásio Maia é um “cristão novo” no PSB, e com histórico nada apreciável quando se trata da relação política com RC.

Lembremos: apesar de Gervásio Maia (o pai) ter sido um próximo e importante colaborador de Ricardo Coutinho quando este era prefeito de João Pessoa, o filho não pensou duas vezes para abandonar RC e apoiar José Maranhão quando este assumiu o governo, em 2009, após a cassação de Cássio Cunha Lima. E foi muito bem recompensado por isso.

Então, não sendo Gervásio, quem seria o candidato do PSB, certamente perguntam os que ainda continuam a pensar nos termos do tradicionalismo político? A melhor resposta que eu tenho para essa questão é essa: um nome que possa ser apresentado ao eleitor não apenas como um continuador de um projeto administrativo, como eu disse, mas que também expresse um passo a mais na consolidação de uma cultura política, aspecto que, na conjuntura de uma oposição dominada por Cássio Cunha Lima e José Maranhão, eu acho até mais relevante do que o primeiro.

E, caso as hipóteses desenvolvidas acima façam sentido, dois nomes me parecem mais ajustados a elas: o de João Azevedo, ou de qualquer outro “técnico” − Waldson Souza, por que não? − em caso de uma conjuntura em que o eleitor privilegie esse perfil, ou Estela Bezerra, no caso de um perfil, digamos, mais identificado com a trajetória de Ricardo Coutinho, com mais retórica e mais combatividade, e mais proximidade com movimentos sociais.

E para os que acham que se trata de uma miragem as opções apresentadas acima, eu lembro dois exemplos da eleição de 2014 muito próximos de nós: o primeiro é do atual governador de Pernambuco, do PSB, Paulo Câmara. Antes de se eleger governador, Câmara nunca tinha sido candidato a nada. Era um “desconhecido” secretário do então governador, Eduardo Campos, até ser apresentado como seu candidato e vencer a eleição contra tradicionais políticos pernambucanos.

O segundo é o caso de Rui Costa, atual governador da Bahia. Antes de ser eleito para o governo baiano, Costa havia sido duas vezes vereador por Salvador, Secretário do primeiro governo de Jacques Wagner, e depois deputado federal. Em 2012, Rui Costa voltou para o governo e, em 2014, foi lançado como candidato a suceder Jacques Wagner, que permaneceu no cargo.

Nos dois casos, eram candidatos considerados inexpressivos, e que pontuavam abaixo dos 10% até a realização das convenções partidárias. Mas, como eu digo sempre: entre a convenção e a eleição tem uma campanha no meio. E é aí que a eleição verdadeiramente se decide, quando o eleitor começa a decidir seu voto pra valer porque a eleição passa a fazer parte do seu cotidiano. Antes disso, o que temos são nomes.

E no caso das hipóteses levantadas acima, acredito que elas dependem da permanência de RC no governo, não apenas porque elimina as dúvidas a respeito do papel de Lígia Feliciano, como permite que o atual governador conduza sua sucessão no cargo, o que é uma vantagem inquestionável para qualquer candidato/a que receba esse apoio.

Com Blog do Rubens Nóbrega 

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